Vamos falar sobre antigénios.
Até aqui já ouvimos falar da maturação dos linfócitos B e T e do receptor para o
antigénio da superfície dos linfócitos B e T (a imunoglobulina de membrana como um
receptor para o antigénio dos linfócitos B e o TCR como um receptor para o antigénio
na superfície dos linfócitos T).
É no Timo que ocorre a maturação dos linfócitos B e T e uma das propriedades
da célula madura é a tolerância para os antigénios do próprio (proteína do próprio,
com constituintes celulares do próprio e que os linfócitos B e T aprendem a “tolerar”,
a reconhecer como self).
O antigénio que vamos falar hoje é o antigénio que vai ser alvo da resposta
imunológica – que vamos ter que eliminar no decorrer de uma resposta imunológica
para que o estado de saúde de homeostasia do indivíduo regresse.
Antigénio
A primeira característica que a substância tem que ter é “não fazer parte do
próprio” (porque para isso nós temos tolerância) e, portanto, ser estranho ao
organismo, sendo reconhecido como tal.
Assim, o antigénio é uma substância que é reconhecida como “não própria”, por
uma imunoglobulina, anticorpo ou TCR, e que vai desencadear uma resposta
imunológica (uma resposta imune inata e posteriormente uma resposta adaptativa, do
tipo celular ou do tipo humoral).
Desta capacidade que a substância estranha tem de desencadear esta resposta
imune, decorre uma outra propriedade que é a de ser um imunogénio.
Imunogénio
É uma substância capaz de desencadear uma resposta imune (específica) de tipo
humoral ou celular e tem também a capacidade de desencadear memória
imunológica.
Um imunogénio é um antigénio. Mas por sua vez a antigenicidade não significa
inerentemente a outra propriedade (imunogenicidade). Existem substâncias que são
reconhecidas como um antigénio mas que não são capazes de desencadear memória
imunológica e, portanto, não são imunogénios (ex.: Hapteno – ver slide 1 da pág. 3 –
que é uma substância que por si só não desencadeia resposta imune e que, portanto,
precisa de se ligar a uma proteína transportadora chamada carrier, passando então a
ter capacidade de desencadear uma resposta imunológica. Outro exemplo é o caso de
Antigénios – antigenicidade e imunogenicidade 2
determinados antigénios designados timo-independentes que não são capazes de
desencadear memória imunológica e portanto estes também não são imunogénios).
A substância tem que ser um antigénio e com capacidade de desencadear
memória imunológica para que haja imunogenicidade.
No conceito em si de anticorpo, podemos considerar substâncias com diferente
capacidade de antigenicidade sendo que esta está relacionada com a complexidade
química da substância (ex.: um bom imunogénio é uma proteína e um mau
imunogénio é um açúcar. Uma proteína, com a sua estrutura complexa – terciária ou
quaternária – é uma substância química com uma complexidade estrutural que a leva a
ser uma substância com uma antigenicidade reconhecida e que vai desencadear por
parte do sistema imunológico uma resposta).
Quando pensamos num antigénio, pensamos na capacidade que ele tem de ser
reconhecido, ou pela imunoglobulina ou pelo TCR. Considerando a globalidade de
uma proteína, nem todas as sequências de aminoácidos, nem todos os epítopos da
proteína vão ser alvo da resposta imune portanto, da produção de anticorpos.
Nessa mesma proteína, há determinadas sequências de aminoácidos que vão
desencadear a produção de 1, 10, 20, n anticorpos de acordo com os epítopos que
essa proteína tiver. O anticorpo produzido para essa sequência de aminoácidos é um
anticorpo específico para esse segmento.
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